A criança vem ao mundo com as características próprias da espécie humana, o que lhe permite reagir psicologicamente e viver uma vida social, graças à linguagem que encontrou nela condições de formação e de desenvolvimento (Canongia).
A LINGUAGEM não é inata, ou seja, resulta de uma educação consciente dada pelo meio em que o ser humano vive desde o nascimento. Inicialmente a criança recebe estímulos sensoriais e os transforma em conceitos concretos, mas à medida em que se desenvolve e é educada, passa a níveis de conceitos mais abstratos que serão representados pelas palavras. As palavras unificam o pensamento, esclarecem os conceitos, simplificam os entendimentos e definem as idéias.
Enfim, linguagem é o conhecimento que temos das coisas que nos cercam e do mundo. Uma criança só aprenderá a falar se tiver bastante conhecimento das coisas que a cercam.
De forma prática, devemos aproveitar todos os momentos e situações do dia-a-dia para estimular o pensamento da criança. Não podemos perder a oportunidade de levar a criança, por exemplo, ao supermercado, sacolão ou feira, andar de ônibus, metrô, viajar e outros; conversar com a criança sobre o que vai ter no almoço hoje, por exemplo, dizer em voz alta o nome das frutas, verduras, roupas, transportes, etc... é de muito proveito.
As expressões fala e linguagem não são sinônimas. A fala é o processo mecânico de comunicação verbal.
A FALA compreende o emprego da voz, da articulação, do ritmo, da entonação, da intensidade, tudo monitorado pelo sistema auditivo. É um comportamento altamente integrado onde os órgãos da fonação e da articulção desempenham importante papel.
Fisicamente a fala é considerada uma complexa combinação dos órgãos fono-articulatórios (OFAs) que são lábios, língua, dentes, bochechas, palato (céu da boca) duro e mole, úvula ("campanhia"). Acusticamente a "fala" é produzida pela vibração das pregas vocais a este som, chamamos de voz. Socialmente a fala é considerada uma combinação de símbolos e ações verbais referente a objetos e as experiências da vida do ser humano.
Na prática, observamos que as crianças aprendem a falar ouvindo a fala dos adultos. Portanto quando a criança disser alguma palavra errada, devemos apenas repetir a palavra correta ao invés de imitar o erro da criança. Desta forma ela estará sendo estimulada sem se sentir constrangida pelo seu erro. A criança deve perceber nos pais a segurança para acertar ou errar, pois só desta maneira ela poderá se exercitar confiantemente, até aprender. Devemos também dosar bem os diminutivos para falar com as crianças. Por exemplo, é mais fácil aprender a falar “pé” que “pezinho”.
Devemos levar a sério o ritmo de vida da criança, como por exemplo o horário de acordar, de brincar, de tormar banho, de fazer lição, de dormir, de almoçar e do tempo que tem para se alimentar, etc...
Concluindo, vimos que a linguagem e a fala são parâmetros altamente organizados. Para que os estímulos cheguem perfeitamente ao cérebro e a criança aprenda, devemos primar pela organização do ambiente e da rotina da criança. O lugar onde a criança cresce deve transmitir segurança, confiança (ela deve ter a certeza de que os pais confiam nela para desempenhar uma função); ter regras, horários e disciplina. A escola contribui muito para a organização mental da criança.
A presença participativa dos pais e irmãos no ambiente familiar é de grande importância para a aquisição e o desenvolvimento da fala e linguagem. A criança deve se sentir valorizada, respeitada, reconhecer o seu espaço, não deve ser tratada de forma infantilizada, mas sim naturalmente, de acordo com a sua idade real. Boa Sorte!
Magda Denise Duarte Fonoaudióloga CRFA 5426 Especialista em voz CFFA 1346/01 Mestre em Ciências pela UNIFESP